Grande Mar
Redondo.
Cinema documental, educação e prática coletiva em Paranaguá.
Realizado por estudantes do curso de Publicidade e Propaganda do Instituto Superior do Litoral do Paraná, sob coordenação geral, direção e orientação pedagógica de Castro Pizzano.
Grande Mar Redondo (2025) · 8’01” · Preto e Branco



Direção de arte e desdobramento visual — Coletivo Aracati · 2025.
A quem pertence Paranaguá?
Documentário desenvolvido em contexto acadêmico, que investiga memórias, identidades e afetos em torno do território de Paranaguá.
Os estudantes se organizaram no Coletivo Aracati— nome que vem do tupi, “ar bom”, e que na linguagem caiçara designa o vento forte que sopra do mar ao entardecer. O coletivo assumiu todas as etapas do fazer cinematográfico: da concepção e branding à realização, montagem e distribuição.
A obra articula cinema documental, educação e prática coletiva, usando o audiovisual como ferramenta de escuta, formação crítica e preservação da memória local — um retrato do patrimônio histórico e humano da cidade, para além dos cartões-postais.
- Duração
- 8’01”
- Formato
- Digital · Preto e Branco · Som Estéreo
- Ano
- 2025
- País
- Brasil
Documentos de processo.
Peças que registram a formação do coletivo, o desenho da marca, o planejamento audiovisual e a estratégia de circulação. Alguns dados desses documentos são anteriores à finalização do filme.
Brandbook — Coletivo Aracati & Grande Mar Redondo
PDF ↗Identidade visual, manifesto, sinopse, tipografia e desdobramentos.
Projeto de Ação
PDF ↗Documento fundador do projeto — justificativa, público, metodologia.
Plano de Comunicação
PDF ↗Estratégia de circulação, distribuição e desdobramentos.
PPM — Plano de Produção de Mídia
PDF ↗Pré-produção audiovisual: cronograma, decupagem e recursos.
Escuta como método.
O ponto de partida foi uma pergunta simples: como revelar a cidade que não aparece nas propagandas, que vive para além do porto e dos cartões-postais? A resposta veio no desenho de um processo colaborativo entre estudantes do 4º e 6º períodos, organizados como coletivo, alinhando expectativas, prazos e responsabilidades desde o primeiro dia.
Os personagens foram escolhidos por representarem diferentes dimensões de uma Paranaguá invisível: Mônica e Marlene, mulheres da Ação Social que transformam carência em coletividade; Ezequias, que reeduca crianças plantando jardins depois da linha do trem; Márcio, atravessador de águas há mais de quinze anos, ligando ilhas e cidade. Quatro perspectivas que raramente se encontram, mas que dialogam no filme como uma narrativa sobre pertencimento e resistência.
As entrevistas foram planejadas com roteiro prévio, mas conduzidas como conversas abertas — cada uma com mais de trinta minutos de escuta. O roteiro final foi construído a partir desses depoimentos, sempre com uma camada poética: trabalhando contrastes entre a cidade visível e a cidade esquecida, o cotidiano repetitivo e a esperança silenciosa, a coletividade e o isolamento.
Sociologicamente, o filme oferece um objeto para pensar como a produção audiovisual participa da construção simbólica da realidade — como elementos narrativos, visuais, sonoros e de design constituem sentidos sociais e revelam relações de visibilidade e invisibilidade urbana. A obra prioriza vozes e territórios marginalizados na representação midiática convencional, articulando cinema documental, educação e prática coletiva.
“Mostrar Paranaguá não pelo seu porto, mas pelo porto seguro que as pessoas criam umas nas outras.”
Síntese editorial a partir do Ensaio Teórico e do estudo Representações sociais e práticas coletivas, produzidos pelo Coletivo Aracati (Instituto Superior do Litoral do Paraná, 2025).
Dez cenas para uma cidade.
Versão de trabalho do roteiro de direção — imagem, som e pergunta-base de cada cena. Documento processual, anterior à montagem final de 8’01”.
- Fotografias antigas animadas: barcos no cais, fachadas coloniais, brincadeiras de infância. Inserções da Rua da Praia ao amanhecer — mar calmo, cortinas ao vento, gaivotas. Close nas mãos enrugadas segurando fotos, nos tecidos das roupas, em um rádio antigo ligado.
- Trilha suave, sons do mar ao fundo. Vozes alternadas em tom saudoso.
- Como era a cidade na sua infância? Qual sua lembrança mais antiga de Paranaguá?
- Travelling por ruas vazias, casas descascadas, muros pichados. Close nos pés dos idosos calçados com chinelos simples, no encosto gasto das cadeiras, em um pano de crochê sobre a mesa.
- Sons crus: vento, passos, janela batendo. Vozes pausadas e reflexivas.
- O que você acha que foi se perdendo com o tempo?
- Detalhes do calçamento colonial, placas corroídas, janelas antigas. Close nas mãos apoiadas nos joelhos, em uma xícara de café, nos olhos fixos olhando algo fora de quadro.
- Sons ambientes suaves. Trechos emocionados dos entrevistados.
- Algum lugar específico te emociona quando passa por ele hoje?
- Manguezal, raízes à mostra, reflexos d’água. Close nos dedos segurando uma concha, em uma estante com objetos do mangue, em fotos do Valadares sobre a mesa.
- Sons do mangue ao fundo — pássaros, vento. Depoimentos intercalados sobre o significado do mangue.
- O que o mangue representa pra você?
- Pessoas comprando, vendendo, preparando peixe. Close em uma panela sobre o fogão da casa, em um peixe seco pendurado na parede, nos dedos cortando cheiro-verde.
- Sons do mercado misturados com som ambiente da casa. Falas sobre o modo de viver local.
- Como você descreveria o jeito de viver de quem mora aqui?
- Bancos da igreja, velas, imagens religiosas. Close em terços pendurados, em mãos cruzadas no colo, em uma imagem de santo na estante.
- Cantos religiosos, sinos. Narrativas íntimas sobre a fé e a religiosidade local.
- A fé tem um papel na vida das pessoas daqui? Como?
- Mapas antigos, vitrines, trilhos de trem. Close em um jornal velho dobrado, dedos passando por um livro de história, em um quadro com fotos da cidade.
- Ecos leves, barulho de papel. Depoimentos sobre os primeiros moradores.
- Que histórias te contaram sobre os primeiros moradores da cidade?
- Despedidas, ônibus, malas. Close em uma carta guardada, em uma mala antiga no canto da sala, em olhos marejados.
- Sons da rodoviária mesclados com silêncio interno. Relatos sobre partidas e permanências.
- Por que muitas pessoas vão embora de Paranaguá? O que faz alguém ficar?
- Prédios abandonados e reformas. Close em mãos apoiadas em muletas, em fotografias de antigas construções, em panos de prato bordados com nomes de ruas.
- Silêncio pesado, vento. Reflexões sobre o futuro da cidade.
- Você acredita que a cidade tem força pra se reconstruir?
- Maré subindo e descendo. Close em cadernos manuscritos, olhares distantes, retratos de família. Os dois idosos sentados, cada um diante de sua janela, observando o horizonte.
- Som do mar, som das páginas ou folhas. Encerramento poético com falas intercaladas, como uma carta ao futuro.
- O que você gostaria que o futuro soubesse sobre o nosso presente?
Um filme feito em coletivo.
Todos os créditos são de estudantes e colaboradores que atravessaram o semestre entre pesquisa, direção, arte, som, montagem e distribuição.
- Direção
- Coletivo Aracati
- Coordenação Geral e Direção
- Castro Pizzano
- Produção
- Anna Mundim · Isabelle Severa · Rafael Zamboni · Yasmim Maciel
- Roteiro
- Fabiana Pelinson · Rafael Zamboni · Yasmim Maciel
- Direção de Fotografia
- Anna Mundim · Fernanda Curcio · Isabelly Barbosa · Isabelle Severa · João Elpidio · Nicolly Derio · Pedro Treiss · Rafael Zamboni · Yasmim Maciel
- Direção de Arte
- Anna Mundim · Isabelle Severa · Isabelly Barbosa · João Pedro Matias
- Som Direto
- Isabelly Barbosa
- Montagem
- Fernanda Curcio · Isabelly Barbosa · João Elpidio · Pedro Treiss · Rafael Zamboni · Yasmim Maciel
- Edição de Áudio
- Pedro Treiss · Rafael Zamboni · Yasmim Maciel
- Pós-Produção
- Castro Pizzano
- Trilha Sonora
- Teosonic (Ambient Classical Guitar) · Davi Bemfica (Brazilian Meditation Music) · Twisterium (Dramatic Piano)
- Design, Branding e Conceito Visual
- João Pedro Matias · Luiza Scislovski · Oberdan Filho
- Desdobramento Visual e Distribuição
- Annelisi Felizardo · Caio Kiryla · João Pedro Matias
- Realização
- Instituto Superior do Litoral do Paraná — ISULPAR
- Apoio
- Instituto Superior do Litoral do Paraná · Associação Casa Missionária — ACM